31.3.06

Ela nem precisou dizer nada para que ele adivinhasse sua voz: rouca. Não a rouquidão de doença. Ronronar macio, palavras pesadas.

Ela nem precisou tirar os óculos para que ele adivinhasse seus olhos: castanhos. Abismo negro, fundo de poço, janelas fechadas.

Ela nem precisou chegar perto para que ele adivinhasse seu perfume: nenhum. E ainda assim, ele nunca esqueceria seu cheiro.

Ela nem precisou se mover para ele saber: era ela.

E saiu correndo para o mais longe possível.

* * * * * *

Ela era: cavalo de ancas largas, sela, montaria. Era ela: arreio, cabresto e chicote para quem cavalgasse seu lombo.

3 comentários:

Rayanne disse...

Ela era o amor.

Thata disse...

ou a morte...
(nem eu sei)

Anônimo disse...

Sabe, vc escreve sempre tão bem, surpreende. Cada dia mais fã.

E voltei a publicar coisas. Mudei um pouco o foco.