20.7.08

A palavra do dia: casa

Entre as coisas certas desta vida estão essas: a casa da minha mãe tem cheiro de bolo. Na casa da minha avó sempre tem gente falando alto e fazendo toc toc toc com o salto do sapato. No apartamento de São Paulo sempre tem lugar para mais um. Mas às vezes não tinha muito lugar para mim. Por isso sempre foi "o apartamento", mas não muito "a minha casa".

A minha casa é quando meus amigos estão reunidos em torno duma mesa ou esparramados pelo sofá. A minha casa sempre tem café no bule (igual a casa da outra avó). A minha casa pode ser do tamanho de uma cidade, do tamanho de um quarto ou do meu tamanho. Eu me sinto muito em casa em mim.

A minha casa agora é uma festa de duas pessoas, mas os amigos virão, eu sei que virão. Porque a porta da minha casa sempre está aberta. E nesta casa de agora os móveis não são meus, mas têm a minha cara. Na minha casa de agora tem varanda com vista para o rio. Tem um quartinho pequeno com uma cama grande, onde eu durmo como nunca dormi (mas acho que é mais por causa da boa companhia). Minha casa de agora fica no quarto andar (sem escadas) de um prédio com mais de 100 anos. Tem um fogão pequenino na cozinha verde onde eu estou aprendendo a fazer delícias.

Dizem que sua casa é onde está o seu coração. Eu sei é que o meu fica quentinho quando a rua faz uma curva e eu vejo o predinho amarelo, um pedaço do rio e meu amor a sorrir na varanda. 

nossa música



Junte cerveja com publicidade com essa letra linda aí embaixo. O que você tem? Duas das coisas que a gente mais gosta e uma música que conta nossa história. Nossa música ;)

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
Yeah you do and I was made for you

You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through
like you do
And I was made for you...

19.7.08

sonhos

A Ione me convidou para esse meme e se é convite da Ione eu não recuso (sabia que o blog dela foi o primeiro blog que eu li ever? faz tempo, viu). A brincadeira é a seguinte: descrever 8 sonhos que você tem para antes de morrer. O problema é que eu não tenho, assim, sonhos. Quem me conhece sabe que eu sou uma pessoa um pouco prática. Eu tenho metas. Sonho é aquela coisa...a gente acorda e puf! o sonho já foi e agente fica pensando em que bom seria se não fosse sonho. Metas não, pra cumprir uma meta você corre atrás, realiza. Parece papo de auto-ajuda, mas pra mim funciona. Vejamos:

1- Topo da lista: ter filhos.
2- Conhecer o maior número de lugares possível. Para esse já dei uns bons passos.
3- Fazer alguma diferença na vida das pessoas que eu conheço. Acho que faço.
4- Ter uma casinha com gato, cachorro, crianças, amigos, comida no forno, as coisas boas todas.
5- Tinha uma meta de ser diretora de criação antes dos 30. Essa realizei, agora não sei.
6- Outra meta era fazer mestrado e dar aulas. Já estou fazendo...
7- Viver muito! Quero chegar aos 100 e ser uma velhinha cheia de histórias para contar.
8- Ter alguém para dividir os momentos bons e ruins da vida, para construir tudo isso junto comigo. Ahn. Done!

Tinha que passar o meme pra mais 8 pessoas, mas ando tão ausente da comunidade blogueira auhauha. Então se alguém ainda vem aqui (vocês 10, obrigada por não desistirem!) e quiser fazer o meme, fica à vontade! E me avisa preu ir lá ver! ;)

10.7.08

voice mode: off

Eu e minha garganta tivemos um leve desentendimento essa semana e ela não está mais falando comigo. Estou totalmente sem voz! E logo esse final de semana que fui escalada para trabalhar num dos festivais de música mais legais desse verão (Bob Dylan, The Hives, Nouvelle Vague, Ben Harper!!)...snif. Mas eu vou mesmo assim, azar o da minha voz se não quer ir. hunf


E logo hoje sentou uma senhora do meu lado no ônibus (autocarro?) com a história mais incrível. Ela foi parteira durante 45 anos! Sabe tudo sobre bebés, veio o caminho todo dando dicas de como alimentar crianças que nascem com mais de 4 kg. Contou também que teve um filho que morreu aos 29, a mulher dele casou de novo e deu os filhos pra ela criar. E que hoje trabalha dando aulas a enfermeiras que querem aprender a ser parteiras não para trazer crianças ao mundo, mas sim para abrir clínicas de aborto! E vocês podem imaginar o custo que foi ouvir isso tudo calada? 

Vai ser um looongo dia.

6.7.08


É, pessoas, essa tem sido minha vida. Acordo cedinho, ligo o computador, adianto um trabalho do mestrado, me troco, vou pro trabalho, saio de lá umas 20h30, chego em casa às 21h, vejo um pouco de TV, durmo, acordo cedinho...
Tenho uns 100 mil caracteres pra escrever nas próximas duas semanas, ou seja, minha vida tem sido basicamente encarar o monitor.
Mas não é que do monitor às vezes saem umas surpresas boas? Como hoje: aniversário da minha prima láaaa em Bauru, a família toda reunida na fazenda e o que eles fizeram? Levaram um notebook preu participar da festa! E na outra semana foi igual, no aniversário do meu avô. Agora quero webcam-party todo final de semana!
E claro que minha vidinha offline também não vai nada mal, tem jantarzinhos gostosos, cervejinha na varanda, noites ensolaradas (sim, porque aqui anoitece às 22h), passeios. E tem também os amigos do oooutro lado do oceano que me fazem surpresas como ligar só pra dar bom dia.
Mas nas próximas 3 semanas, nada de fotos novas de passeios longos, só o tec tec tec do teclado e os olhos fixos no computador.

(a imagem eu roubei daqui)

25.6.08

curtinhas

queria voltar a postar contos. este blog virou diarinho demais, mas a realidade anda tão movimentada que não ando com cabeça para a ficção. de qualquer forma, para quem vem aqui e quer ver o que eu escrevo de verdade, coloquei tags nos posts de poesia, contos e teorias. olha aí do lado.


***

mas vocês querem saber com que eu ando tão ocupada? olha o que estou aprontando por aqui. (trabalho da torke, minha agência aqui)


18.6.08

comidinhas

Aqui já é hora do almoço e, para evitar morrer de fome enquanto espero os coleguinhas, vou contar um pouco pra vocês da minha intensa atividade estomacal. A idéia, na verdade, veio de um e-mail da Marília perguntando o que comemos por aqui. Pois.


A verdade é que, à parte os pastéis de Belém e as sardinhas assadas dos Santos, não temos comido muitas coisas típicas. Fazemos comida em casa, o básico macarrão, arroz, batatas e algo mais e pra não gastar no almoço, eu trago marmitinha pro trabalho. Comer fora aqui é muito caro.

Mas o que há de diferente, no geral: carne de vaca é carésimo! Então comemos muito muito muito peixe. E também porco e frango. 

Como vocês podem adivinhar, vinho, por outro lado, é muito barato. Um vinho bom custa tipo 1,5 € (uns 5 reais). Então tomamos vinho quase todo dia (super saudável, peixe e vinho hehe). E com o calor, o maior hit de casa é o vinho verde, que é um vinho branco meio espumante pra tomar bem gelado.

Ainda no quesito bebidas, na rua a pedida são as Imperiais, o chopp daqui. E nisso eles também levam vantagem: enquanto um chopp Brahma tem que ser bem tirado pra ficar bom, aqui qualquer biboca serve uma imperial geladinha e cremosa...hmm

É basicamente isso, minha gente. Aqui também não é nenhuma China, onde se comem insetos e, infelizmente, nenhum reino da alta gastronomia como a França. É comidinha simples e gostosa, mas que faz bem pra alma.

15.6.08

turistando

Tres dias de descanso! Nada de aula, nada de trabalho, finalmente pudemos conhecer a cidade! Na quinta teve a festa de Sto. Antonio. Sexta dormimos até tarde e depois fomos ao Castelo S. Jorge, que é muito pertinho de casa, coisa de 15 min. a pé (aqui se faz tudo a pé e não pensem que a cidade é plana, hein!). Já havíamos tentando ir ao castelo outas vezes, mas a entrada dele é totalmente escondida, então acabávamos caindo em algum miradouro, vendo o castelo logo ali, mas sem a menor idéia de como chegar lá. E sexta conseguimos! Foi o melhor passeio até agora, o lugar é lindíssimo e delicioso, cheio de história: imaginem um castelo do séc. X!

Ontem fomos para Belém. Quer dizer, Belém ainda é em Lisboa, mas é um bairro mais afastado, quase perto do mar. E lá ficam algumas coisas super turísticas, mas beeem legais! Vimos o Mosteiro dos Jerónimos, o Padrão dos Descobrimentos, a Torre de Belém...E comemos os incríveis, os originais, os únicos: pastéis de belém!! que só são vendidos ali! (qualquer coisa que você tenha comido em qualquer outro lugar...sorry, não era pastel de belém)

E pra completar o dia, demos uma voltinha nas lojas do Bairro Alto (aka, vila madalena daqui) e fomos comer japa pra comemorar o dia dos namoridos! Quase chorei quando comi o primeiro sushi! Um mês sem comer japa, minha gente. É demais pra mim. Voltamos para casa rolando e felizes. The end.

(fotos dos passeios no Picasa)

13.6.08

festa de sto. antonio



Ai, ai...outro feriado aqui e estou de pijaminhas em casa. É o segundo da semana: terça foi Dia de Portugal e hoje é Dia de Sto. Antonio. Em compensação, segunda e quarta saí da agência 22h. E ontem consegui sair cedo porque era dia de festa!


Os famosos Santos Populares, a maior festa de Lisboa de que eu tenho ouvido falar desde antes de vir pra cá. Não é nenhuma Virada Popular ou carnaval, mas é uma festa legal, em que as pessoas saem às ruas para comer sardinhas e beber sangria ou cerveja. Não tem música (exceto algumas marchinhas), isso eu estranhei. Mas depois entendi que, dentro do espírito de cidade do interior, é uma festa para encontrar os amigos. E a menina do interior dentro de mim acha isso muito legal. Então foi bom, andamos, encontramos pessoas, comemos, bebemos, rimos...e voltamos para a casa com a tranquilidade de uma bela sexta de feriado. eeeeeeee!



3.6.08

fotos II

Porcaria de orkut, hein? Bom, coloquei as fotos no Picasa, vamos ver se agora vocês conseguem abrir: http://picasaweb.google.com/thaisfabris/Lisboa

Quem quiser ser meu amigo no yogurt, pode procurar por Thais Fabris, não deve ter muitas. Eu ia adorar ter vocês por lá.

Hoje fiz o resumo do meu primeiro trabalho do mestrado. O tema? Blogs. Adoro.

No mais, tudo certo. Trabalhando muito, até no fim de semana, mas isso é o de sempre. Cansada, mas feliz, que é o que mais importa, não é?

Na hora que parar um pouco, conto mais.

29.5.08

Maria

O que a Maria gosta mesmo é quando todo mundo fica em silêncio durante a janta. Isso não acontece sempre, sabe. É uma família italianada, da Mooca, gente barulhenta da gota, como diz Maria. O silêncio é o maior elogio que eles podem fazer à comida dela. Não que algum dia Maria tenha ouvido algum outro elogio naquela casa.

Mas Maria não liga. Maria não tem do que reclamar.

Se algum dia, entre um almoço de negócios e outro, você se lembrou de olhar para o alto, é provável que tenha visto Maria pendurada na janela, limpando os vidros do 18o andar. A patroa fica brava quando Maria não limpa os vidros. A patroa não sabe que ela tem medo de altura. A patroa não sabe de muita coisa.

Ela não sabe, por exemplo, que todas as tardes, depois do serviço, a Maria toma uma ducha no seu banheiro de mármore. Lava sua pele preta com os produtos branquinhos da L´Occitane, se enxuga na toalha fofinha e depois deita um pouco na cama king size pra ver a novela da Record.

A Maria não tem mesmo do que reclamar e nem pense que ela reclama, não. Maria vai à luta com um sorriso no rosto. Sabe a sorte que é ter um prato de comida no fim do dia e um dinheirinho pra gastar no pagode.

Mas é que às vezes ela fica pensativa, a lembrar dos tempos de menina, dos filhos que ficaram na Bahia, do pai que talvez não veja nunca mais. Nesses dias, as lágrimas da Maria salgam o arroz da madame e o barulho que vem da mesa a faz querer chorar ainda mais.

(de volta aos contos. esse já tava na minha cabeça há tempos. Sabe que eu já estou sentindo diferença na hora de escrever? Isso aqui vai ficar giríssimo quando eu aprender a conjugar as segundas pessoas, ó pá! ;))

28.5.08

fotos!

Fotos dos passeios recentes, da casa, etc, estão no meu orkut.

Aproveitem e fiquem meus amigos, sim?

24.5.08

a viver e a aprender

Na última semana eu aprendi que...

...não devo usar tanto gerúndio. e que aqui a segunda pessoa é usada para tratamento informal e a terceira para formal. e que sempre devo usar os artigos.

...meias brancas (!!!) são a coisa mais foleira que existe, porque deixam seus pés com aparência de pé de gesso. (todas minhas meias são brancas, veja bem)

...os negros e chineses fazem um passaporte só para toda a família e se aproveitam do fato de os caucasianos não saberem bem diferenciar rostos de outras etnias. por isso que tem chinês e africano pra caramba aqui: a imigração não diferencia Xin Quan Zu de seu irmão Zi Quan Zu...e eles vão entrando aos montes. (já os brasileiros, dão outro jeitinho)

...não pega bem dizer em uma entrevista que você fazia bicos no Brasil. A não ser que seja para uma vaga de estagiária do Bill Clinton.

...é ok estacionar em fila dupla ou parar sobre a calçada. no caso da fila dupla, é só deixar um papel no pára brisa dando o endereço onde pode ser encontrado. civilizado, não?

...e por aí vai. aos poucos vou contando mais :D

20.5.08

vida nova no velho mundo

E não é que, depois daquilo tudo, puf! vim parar no velho mundo? Nas Oropas, môbem, sou muito chiiique, pensa o que? Pois bem, crianças, chegamos e estamos muito bem. Faz menos de uma semana, mas para mim parece que estou aqui há mais de um mês. 

Depois de todos os aperreios para tirar o visto, aqui está dando tudo incrivelmente certo. A facul está ótima, a casa é lindinha, tenho o melhor namorido do mundo, os documentos necessários aqui sairam rápido, etc. Tudo certinho.
Além disso, subi tantas ladeiras que emagreci uns quilos. Pronto. Podem ter inveja hehehe.
Agora estou com internet, vou contando as coisas devagar e logo posto umas fotinhos. E voltarei a visitar vocês também, iei!
Vocês estão por aí? Levantem as mãos preu ver quem veio comigo?

 

8.5.08

My blueberry nights

Tirando a parte maravilhosa de dormir até a hora que der vontade, inclusive de tarde, e de estar sempre com o meu amor, juro pra vocês: se minha vida fosse sempre como foi no último mês eu entraria em depressão profunda.

É que eu tava numa espécie de limbo, sem trabalho, com alguns afazeres só, mas que não preenchem os dias. Vendo TV a tarde toda, de pijama. Sério, num gosto não. Mas agora acabou a espera: saiu nosso visto!

Agora é oficial, minha gente: quarta que vem vamos pra Lisboa, começar vida nova. Eu e o Ti vamos fazer mestrado lá, então a estada será de, no mínimo, um ano e meio. Acho que meu próximo post já será de lá, então pode demorar um tempinho. Mas o blog continua! E com certeza será mais atualizado, pra diminuir as saudades.

*****

Fui assistir Blueberry Pie ontem. Gente, chorei feito um bezerro nas últimas cenas. Abriram-se as comportas de lágrimas, meu deus! Passei carão. Mas tudo por que eu queria pedir: amigos, prometem deixar um lugar reservado à minha espera? Amo muito. Beijos!

27.4.08

: *


Ela me fez uma festa de despedida. Chamou meus amigos mais queridos, meus irmãos, meu amor. Escolheu seus cenários mais bonitos, suas melhores músicas, sua gente. Ela, que já me deu tantos presentes. Que me acolheu quando eu cheguei, com seus gigantes braços de mãe. Ela que me ensinou tanto, que me transformou de menina em mulher, de aluna em professora, de garotinha perdida em conhecedora de seus caminhos. Ela que me deu um amor de olhos azuis e sotaque da mooca, que me deu amigos de todas as partes, que me deu partes dela pra chamar de minhas.

Se for pensar bem, eu é quem devia estar prestando homenagem. Mas ela é assim. Ela me fez uma festa, veja bem, pra mim, que a estou deixando! Mas ela é assim mesmo. Ela vai lá e faz uma festa, com todas as pessoas, em todos os lugares, para dizer "Vai. Deita nos braços das outras, conhece suas gentes, suas entranhas. Vai viver a Nuit Blanche, a Las Mercés, o São João. Vai, e vê se alguém faz uma festa assim pra você."

E eu vou. Não sem uma lágrima, uma saudade apertada e antecipada, mas eu vou porque preciso, pelo mesmo impulso que me trouxe aqui.

Um beijo, São Paulo! Te amo, tchau!

















22.4.08

Lucimara, Julia, Elisabete e o cachorro

Ninguém entendeu por que a Lucimara saiu da pista daquele jeito. Tudo bem que o trânsito estava complicado e o chão molhado, mas ela sempre foi tão prudente. E além do mais, as testemunhas disseram que ela simplesmente deu uma guinada, sem motivo aparente. A Julinha, que estava do lado, coitada, não lebra de nada mesmo.

Mas eu vou te contar o que aconteceu. Foi tudo culpa da Elisabete. Foi ela quem não amarrou o cachorro direito naquela tarde, lá na casa mais periférica da periferia. Elisabete preguiçosa, deu um nó frouxo na corda e agora ta aí o resultado. Claro que o cachorro escapou, né? E pra onde vai um cachorro que escapa? Nem ele mesmo sabe. Saiu correndo sem rumo, em linha torta, e quando viu, já não sabia mais voltar.

Foi parar na rodovia e seguiu, ladeando a pista, até resolver que era hora de atravessar. Atravessar por que, meu deus? Ah, pra ver o que tinha do outro lado.

Quando a Lucimara viu que o cachorro ia cruzar a rodovia, não pensou que eram 6 horas da tarde de uma volta de feriado. Não pensou que tinha chovido. Não pensou nos outros carros. Lucimara só pensou na Julinha. Não queria que a filha a visse atropelando um bicho.

Lucimara fechou os olhos e pisou com força no freio. Quando abriu de novo, estava em um quarto de UTI. Fechou os olhos mais uma vez e eles não se abriram nunca mais.

O cachorro, por sua vez, fechou os olhos e, sebo nas canelas, voltou para o acostamento. Está por aí até hoje.

Naquele dia, todo mundo reclamou do trânsito da volta do feriado.

20.4.08

Aproveitando o feriado pra falar um oi!

OOOOI

No último mês, virei praticamente uma autista da sociedade. Todo final de semana eu penso "pronto, agora ta tudo resolvido, vou poder voltar a conviver com as pessoas normalmente." e nãaao...sempre falta alguma coisa. Pra explicar melhor, faço minhas as palavras dele.

Mas agora realmente acho que está tudo resolvido, falta bem pouco. Então voltarei a conviver com os amigos, porque eu to vendo que eu vou embora e vai ficar todo mundo falando que eu fiquei chata e isolada nos últimos tempos hehe.

E vou voltar à minha série de posts também, que já tenho dois meio prontos.

Então me aguardem. I will be back! :*

14.4.08

wow! how do thatas fly?




























......

É crianças, mas esse meu processo migratório não está sendo nada light, principalmente nas duas últimas semanas. Essa brincadeira de mudar de país num é fácil não, viu? To-ne-la-das de papéis, ho-ras em filas de banco. Isso fora o serviço público que é aquela belezura, né? Mas agora acho que as coisas estão encaminhadas, é mais uma questão de esperar e segurar a ansiedade. E arrumar as malas. E dizer tchau. E bater asas. iei!!

***

E eu ouvi falar...
Que quando duas bichinhas casam,
elas dão o anel uma pra outra!

7.4.08

Lineu

A benção, vó.
Deus te abençoe, meu filho.

Todo dia é a mesma coisa. Ter que pedir a benção para a avó está matando Lineu aos pouquinhos. Lineu não acredita em Deus. Para Lineu, a religião é o ópio do povo. Ou seria a televisão? Por via das dúvidas, não vai à missa nem assiste TV. A avó, por sua vez, assiste a missa na TV todos os dias às seis da tarde, bem quando Lineu chega em casa e tem que dizer:

A benção, vó.
Deus te abençoe, meu filho.

Lineu preferia estar morando com os pais, mas os velhos insistiam que ele arrumasse um emprego. E se render ao sistema? Mas nem morto! Cortaram sua mesada, começaram a pegar pesado, Lineu pediu abrigo pra velha e lá está ele.

Lineu é um subversivo. Consegue sustentar sua ideologia comunista bem embaixo do nariz da avó malufista. Está dormindo na casa do inimigo. Para fugir dos olhos da censora, passa os dias na pracinha, fumando maconha e planejando a revolução. A velha acha que ele está trabalhando. Quando o sol se põe, volta para casa com um ar cansado – os olhos até vermelhos, veja bem! Entra pela porta e geme:

A benção, vó.
Deus te abençoe, meu filho.

Mas também não pode reclamar. Pelo menos a comida é boa e a cama, macia.

4.4.08

Jotabê

Jotabê tanto fez que foi expulso da cidade. Foi um alívio geral quando o viram descer a rua da estradinha de terra, mas, acredite, ninguém ali estava mais aliviado que Jotabê.

Também, pudera. Quando Jotabê achava que tinha acabado de se vingar do último inimigo, arrumava outro, e outro, e outro. Até entre seus melhores amigos. Nunca tinha paz.

Chegou a cogitar que pudesse ser algum complexo de perseguição. Gostaria de ter discutido isso na terapia, mas tinha brigado com a analista. De pirraça, parou com os remédios, tomou um porre e transformou-se na Mamba Negra do interior.

Claro que suas vinganças não envolviam espadas hattori hanzo, mas ele também tinha uma lista negra:

Vernita Green – pneus do carro esvaziados no dia de seu aniversário
O-Ren Ishii – vodca com energético na cabeça
Elle Driver – 15 milk shakes enviados à sua mesa, lembrando-a de sua compulsão alimentar
Budd – tônico capilar que causou-lhe queda de cabelos
Bill – Jotabê ainda não sabia o que fazer com o bastardo que tentou atropelá-lo com uma ambulância da SAMU.


Enquanto andava pela estradinha de terra, Jotabê revisava sua lista e pensava que havia sido justo com todos. Menos com Bill. Não podia deixar a cidade assim, com isso mal resolvido. Deu meia volta e encontrou a porteira providencialmente destrancada.

O problema é que toda vez que Jotabê era expulso, encontrava um motivo para olhar para trás. O problema é que toda vez que a cidade expulsava Jotabê, tratava de deixar-lhe um motivo para voltar.

(atolada em uma pilha de papéis, entre uma fila e outra do poupa tempo, acreditam que eu esqueci do aniversário do jotabê? inda bem que ele mudou o dia e deu tempo de dar parabéns. e de fazer o presente que ele pediu hauhauah...pidão!! então ta aí: jotabê, baseado em fatos reais, acreditem se puderem. amo muito!)

31.3.08

Luciana e Marcelo

Luciana bobeou, deu no que deu. Seis da tarde, e lá estava ela esperando o farol abrir na Paulista com a Consolação, os cabelos pingando água e se revelando (surpresa!) cacheados. E o pior: confiante no sol de verão, lá estava Luciana de blusinha Hering branca, no meio do maior toró dos últimos anos.

Mas também, o que ela queria, saindo assim? Todo mundo sabe que Murphy não perdoa um erro desses. Funciona melhor que dança da chuva. Pode estar um dia lindo, mas se você não pegar a sombrinha é batata que vai cair um temporal no fim da tarde.

No outro lado da faixa de pedestres, Marcelo fazia a maior descoberta de toda sua vida: a camiseta branca de Luciana estava ficando transparente. Genial. Marcelo já tinha visto muitos concursos de wet shirt girls, mas nunca tinha visto uma camiseta molhada como aquela. Já tinha folheado muita revista de sacanagem, mas nunca tinha visto peitos como aqueles. Já tinha olhado para muitos olhos, mas nunca o haviam olhado como Luciana estava olhando naquele momento.

Entre emputecida e lisonjeada, entre sedutora e encabulada. Luciana até esqueceu do frio do temporal, enquanto olhava para Marcelo protegido pelo providencial guarda-chuva preto, com aquela irritante atitude de “eu tenho, você não tem”.

Escondeu os seios com a pasta que, graças a deus, trazia nas mãos e levantou as sobrancelhas como quem diz “e agora, quem está na vantagem?”. Mas quem estava na vantagem ainda era ele.

Se apaixonaram ali.


Quando o farol abriu, encontraram-se no meio da avenida e Marcelo ofereceu uma carona. Ele não sabia Murphy estava por perto naquele dia. No exato momento em que estendeu o guarda-chuva, parou de chover.


O grande amor da vida de Luciana e Marcelo foi infinito enquanto durou.

Pena que foram apenas 9 segundos.

(e por aqui, o amor continua infinito e duradouro. sabe quando as coisas estão perfeitas e você não acredita que dá pra melhorar? pois. e o melhor é que eu sei que ainda vai melhorar muito. contando os dias pruma mudança grande que vem por aí. torçam por mim!! beijos!)

27.3.08

Marina

Marina é estrela. Não estrela do céu, que essas existem aos bilhões. Nem estrela da terra, que estas aparecem a cada flash. Marina, como o próprio nome diz, é estrela do mar: rara.

Como é comum nas coisas delicadas, Marina tem seus espinhos, que é para que seu coração não caia nas mãos de qualquer um. Mas para aqueles que a ganham, Marina se doa, linda, e se deixa tocar.

Você já viu o rosto de uma criança quando pega nas mãos uma estrela do mar, bela, colorida e alegre? Pois Marina é a estrela e as crianças somos todos nós.

É fácil ser estrela no céu e brilhar sobre tudo e todos. É fácil ser estrela na terra, basta, sei lá, aparecer sem calcinha em um evento qualquer. Difícil mesmo é ser estrela do mar, como Marina, e resistir às mudanças das marés que uma hora te colocam no quentinho do sol e na outra te escondem nas escuras profundezas. É preciso ser uma estrela forte. Por isso, determinada, ela se agarra à enorme pedra de suas convicções, desejos, ambições e resiste à força das correntezas.

Depois, quando passa a tormenta, Marina sabe: tem um oceano de caminhos para escolher.

(para minha prima/irmã amada, pela sua formatura, por me encher de orgulho sendo esta estrela tão linda. E pronto, to eu aqui chorando que nem um bebê na agência, de molhar o teclado. Só você mesmo, Má, te amo.)

17.3.08

Rubinho

O grande problema de Rubinho com a casa da Bisa era o cheiro. Aquele cheiro do banheiro meio entupido, com a comida meio azeda, com a poeira meio acumulada. É que a Bisa já estava muito velha e não se lembrava direito das coisas. É que a Bisa tinha muita coisa guardada. Daí o cheiro. Isso fora o cheiro do perfume da Bisa, que ficava na roupa muito tempo depois que ele ia embora.


Por isso Rubinho ficava brincando de carrinho na varanda na frente da casa enquanto a Mãe conversava com a Bisa lá no fundo. E conversava alto, porque a Bisa também já não ouvia direito. Rubinho se esforçava para não escutar quando a Mãe falava mal do Pai. A Bisa também falava mal do Pai às vezes, e por isso Rubinho gostava menos ainda dela. E fazia vrum bem alto com os carrinhos, pra abafar a voz da Bisa.

Os primos contavam que lá atrás, no quintal, morava um cachorro marrom chamado Toddy. Rubinho até achava que seria legal brincar com o Toddy, mas não ia agüentar o cheiro da casa.

Rubinho também nunca deu um beijo na Bisa. Ele achava que ela não ligava. Ela nunca acertava o nome dele mesmo.

(é, gente...o feriado acabou. como foram de páscoa? muito chocolate? eu me matei de comer o bacalhau que minha vó e meu tio fizeram - oi tio! tava uma delícia! ;) Será que a receita era da minha bisa? eu tinha uma bisa que era a coisa mais fofa. vocês conheceram a bisa/biso de vocês? beijos!)

14.3.08

Marinês

"Como é que a pasta de dente sai do tubo com uma listra branca e outra azul?" A primeira sinapse do dia de Marinês conjurou este pensamento, e olha que nisso já fazia mais de 15 minutos que ela estava em pé. Mas foi só ao guardar a escova no armário que Marinês realmente acordou.

Andou pelo corredor ainda de pijamas, as meias arrastando pelo chão, colocou a água para ferver na cozinha. Passando na sala, ignorou o bom dia da mãe. Haviam brigado feio na noite passada. Mais tarde, quando o irmão perguntou o porquê dos gritos, respondeu que a velha não saía do seu pé, no que ele concluiu que brigaram só para não perder o hábito.

Ainda remoia a briga enquanto, sentada à mesa, tentava abrir com uma faca de manteiga o pacote de mussarela. Como que por castigo, a faca escorregou e zap! abriu um talho em seu dedo.

Marinês ficou ali, por alguns segundos, olhando a bolhinha vermelha se formar na dobra do indicador. Achou muito bonita a cor de seu próprio sangue, sentiu-se viva, deixou o sangue escorrer pela palma da mão e depois limpou com um guardanapo. Só então lembrou que não podia ver sangue.

- Manhêee...pega um band-aid pra mim?

(boa semana pra vocês!)

13.3.08

nada, hein

Ih, essa semana não saiu nem um conto, mas como eu me prometi postar pelo menos uma vez por semana, vamos falar bobagem?

***

Vocês não acreditam: hoje eu acordei cedo, nessa chuvinha, fiz o Ti pegar transito, fui lá do outro lado da cidade, achando que meu médico era hoje e...num era! é quinta que vem. Deus do céu, viu. Haja leseira. E o fofo ainda tem coragem de falar que ser atrapalhada é charme.

***
E gente, outro dia era meia noite e começou uma gritaria no vizinho. A menina urrava! "Eu nunca soube oq é ser amada!", "No meu aniversário, só faltou ela colocar a b*ceta na sua boooca", "Você me come e nem olha na minha cara, eu ch*po seu pau e vc nem me beija na boooca". Assim! Pra quem quisesse ouvir. E o cara que nem a profa. do charlie brown "mómó, mómómó". Por que não escalam uma dessa pro Big Brother, hein?

***
Pra finalizar, meu irmão do meio: "Meu problema é que eu escolho as mulheres certas. Aquelas que são pra casar. Mas elas são tão pra casar, que já estão casadas."

***
ah! e eu adorei que vcs comentaram no post passado, viu? vem mais por aí!! beijos pra todos!

7.3.08

N.

Dizem que as pessoas encolhem com o tempo. Dona Nê, quando mocinha, media 1,70m. Naquela época, ainda era Margarete, corpulenta, exuberante, alegre, falante. Margarete incendiava as praias dos anos 50.

Foi uma das primeiras de sua época a usar biquíni, um bafafá danado, briga com o pai, choro da mãe, escândalo no bairro. Margarete nem ligava. Numa dessas conheceu Estevão, outra celebridade local.

Casaram. Margarete sossegou, terminou o magistério, virou a Tia Nete do colégio São Francisco. Os filhos vieram, os filhos se foram, vieram os netos. Veio Toddy, o cachorro que um dos netos insistiu pra comprar, um dos filhos não agüentou cuidar e sobrou pra Dona Nete.

Estevão se foi, Toddy ficou. Ganhou o direito de dormir na cama e o posto de grande amor da Dona Nete. Quase vinte anos se passaram. Os filhos visitam pouco, os netos ligam de vez em quando. Dona Nê, cada vez menor, já está na casa do um metro e meio.

O pessoal do bairro estava acostumado a vê-la na pracinha, pequenina, discreta, de batom, brincos e perfume, a coleira do cachorro no colo. Um dia, Dona Nê não apareceu. E depois no outro. E no outro. Os filhos ligavam e nada. Arrombaram a porta. Tudo estava em seu devido lugar, menos Dona Nê e Toddy.

Dizem que ela esclerosou de vez e perdeu o caminho de casa. O neto mais novo discorda. Tem certeza absoluta que a vó encolheu tanto que sumiu.

Até hoje, os vizinhos andam com cuidado pela pracinha e todos evitam pisar na grama.

(pessoas, vocês tão gostando da série? é que eu estou me obrigando a escrever mais, pelo menos uma ou duas vezes por semana. vocês gostaram mais das meninas, né? coitado do romeu...Comentem, comente, metam o pau, dêm palpite, digam "essa ficou melhor, isso, aquilo". Quanto à parte do diarinho, a vida continua sendo aquele morde e assopra e eu continuo insistindo em achar que vai ficar tudo bem. E vamo que vamo. Beijos!)

4.3.08

Romeu

Se existe uma coisa chamada memória corporal, o corpo de Romeu poderia escrever um livro. Grande. Grande como os braços de Romeu, que seguram firme o apoio da condução. Braços que nunca esqueceram os anos passados carregando tijolos.

Nos braços de Romeu, a história escrita a tinta: uma sereia, uma âncora, o mar que ele nunca viu. A história que Romeu queria ter vivido é bem diferente da que está escrita nas rugas ao redor de seus olhos. A lista de coisas que aqueles olhos cinzas nunca esqueceram é infinita, mas bem ali no começo, e depois no meio e depois várias vezes em linhas diferentes tem um nome que chama a atenção: Lindalva.

Cada pelinho de Romeu lembra dos arrepios causados pelas unhas de Lindalva. Cada dente em sua boca lembra da textura da pele de Lindalva. Cada célula em seu fígado lembra dos porres tomados para esquecer Lindalva. Em vão.

O corpo de Romeu nunca esqueceu do corpo de Lindalva.

O rosto de Lindalva nunca esqueceu o peso da mão de Romeu.

28.2.08

Julia

Quinze dias é o prazo para que qualquer um se acostume a qualquer situação. Um seqüestrado se acostuma ao cativeiro, um faquir se acostuma à fome, um doente se acostuma ao hospital. Julia nunca se acostumou com a casa vazia.

Logo descobriu que a melhor maneira de não lidar com a casa era não voltar para casa. Que a melhor forma de lidar com os vazios era preenchê-los todos com alguma coisa.

O buraco do ouvido, ela tapa com os fones do i-pod. Diz que a música alta abafa as vozes em sua cabeça.

O buraco da boca tapa com comida, claro. O que resolve também o buraco das segundas e quartas à noite, que ela passa na academia. Seus armários, entupidos de roupas que ela não usa, já quase não têm buracos.

O buraco do nariz, Julia tapa periodicamente com pó, nos banheiros dos bares da vida. Os outros buracos que sobram no corpo, os homens tratam de tapar por ela.

O único buraco com o qual ela ainda não descobriu o que fazer é o do umbigo. E é por essa antiga cicatriz que Julia sangra. Diariamente.

26.2.08

Marlene

Nove entre dez loirinhas gostam de brigadeiro. Marlene era uma em dez, mas não era exatamente loira, assim, no original. Marlene era aquele tipo de pessoa que está na moda por acidente. Se ela está usando calça de cintura alta e lenço no pescoço, não é porque viu na última Vogue que estas são a tendência para o inverno. Marlene se veste assim desde a última vez que cintura alta e lenço no pescoço estiveram na moda. Desde que ela tinha uns 15 anos.

Aos 15 anos, Marlene não se apaixonou pelo vencedor do campeonato de matemática. Aos 17 anos, não se apaixonou pelo seu professor de história. Aos 21, não se apaixonou pelo Serginho, do financeiro. Aos 23 se apaixonou pelo vizinho do quinto andar. Hoje ele está casado com Sandra, a morena fácil. Todo mundo conhece uma morena fácil, não é? Aquela que fala com a boca muito aberta, está sempre de salto, maquiagem, pele bronzeada, roupas coloridas. Aquela que geralmente dá em cima do seu namorado. Aquela que casou com o vizinho pelo qual Marlene era apaixonada. Nada se pode fazer perante uma morena fácil. Marlene nada fez.

Marlene faz qualquer coisa desinteressante em um escritório de qualquer coisa desinteressante. Tem um vaso de flores artificiais sobre a mesa, ao lado do computador que sempre dá pau. Ela volta para casa todos os dias às seis da tarde, faz 35 abdominais, toma um banho morno, assiste a novela das oito e dorme às 10h.

Marlene tem 36 anos, é solteira em uma cidade grande. Marlene não vê nenhuma graça em Sex and the City.