Ela nem precisou dizer nada para que ele adivinhasse sua voz: rouca. Não a rouquidão de doença. Ronronar macio, palavras pesadas.
Ela nem precisou tirar os óculos para que ele adivinhasse seus olhos: castanhos. Abismo negro, fundo de poço, janelas fechadas.
Ela nem precisou chegar perto para que ele adivinhasse seu perfume: nenhum. E ainda assim, ele nunca esqueceria seu cheiro.
Ela nem precisou se mover para ele saber: era ela.
E saiu correndo para o mais longe possível.
* * * * * *
Ela era: cavalo de ancas largas, sela, montaria. Era ela: arreio, cabresto e chicote para quem cavalgasse seu lombo.
3 comentários:
Ela era o amor.
ou a morte...
(nem eu sei)
Sabe, vc escreve sempre tão bem, surpreende. Cada dia mais fã.
E voltei a publicar coisas. Mudei um pouco o foco.
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