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11.4.06

Via expressa

1
Pelo sim ou pelo não
Por via de regra,
ando sempre na contramão

2
Não tem aperreio
por via das dúvidas
tomo o caminho do meio

1.2.06

duas poesias e uma notícia

Noturna:

Pode apagar a luz.
Conheço seus caminhos de olhos fechados.

Matutina:

No sacudir dos lençóis,
desprendeu-se um gemido:
pedaço de sonho esquecido entre as cobertas.


A notícia:


Meg está de volta! Preciso dizer mais? Ah! Preciso: no Imagens & Palavras, vão lá ver!

24.1.06

452

Você devia ver São Paulo como eu vejo, num fim de tarde com brisa fresca, o alfalto molhado refletindo a luz dos postes, uma fileira de luzinhas vermelhas indo, outra de luzes brancas vindo, a brisa arrepiando os pêlos do braço.

Você devia ver a São Paulo que eu vejo, em uma noite fria de inverno, luva, gorro, cachecol, o calor de um abraço amigo. Você devia ver a cidade do alto, todas as janelas dos apartamentos, cada janela, uma vida.

Você devia ver a Vila Madalena em um domingo de verão, o Centro e seus prédios antigos, o Mercadão. Você devia ver a Paulista em qualquer dia, e devia ver bem, pra entender melhor a cidade.

Só não devia ver a Berrini. E o Morumbi. Aquilo pra mim não faz sentido. Mas devia ver a Marginal só por curiosidade: o maior estacionamento do mundo! Devia subir a Marginal Pinheiros durante a semana em um Gol com 5 pessoas queridas e entender que o trânsito não é tão ruim assim.

Você devia andar de ônibus conversando com o cobrador. Você devia se perder um dia e ir parar no Grajaú. Você devia sentar pra tomar uma cerveja olhando pra faculdade mais bonita de São Paulo: a minha. E devia, não sempre que os dinheiros são poucos, mas quando desse, comer um pão de calabreza no Braz. E sempre que possível, sentar em uma calçada na Liberdade pra comer um Yakissoba.

Você devia ver a São Paulo que eu vejo, infinita, caótica, cinza. Enormemente acolhedora. Com seu asfalto eternamente molhado pela garoa. Então você ia entender como se pode amar São Paulo.

2.12.05

shortcuts

Um homem virou para uma mulher e disse:
-Casa comigo?
Ela apenas suspirou e sorriu. Sabia que era o Alzheimer, mas achava romântico ele esquecer que já faziam 40 anos.

* * *

Sentiu um desejo incontrolável de comer peito de peru com Nutella. Ou estava grávida ou havia se transformado em chef de restaurante metido a moderno.

* * *

Chegou ao fundo do poço e sorriu. Não poderia ficar pior que isso. Foi quando começou a chover.

27.11.05

Simpatia

Cura para todo mal:
toma um banho de sal grosso
do rio das tuas próprias
lágrimas


(Há sempre alguém indo e alguém chegando, não é? Eu mesma sou a que vai e que chega, dependendo de que lado você está. Mas as partidas são sempre as piores. Não sei me despedir. Choro quando sou eu quem vou, choro quando alguém que eu amo se vai. Uma coisa aprendi: não existe tempo nem distância no lugar onde deus nos faz amigos. Hoje eu dei tchau pra Mi, que vai em busca de um sonho maior. Chorei, chorei. Como chorei meses atrás quando a Lá foi pra Manaus. E ela já está voltando, faltam só 20 dias! Amizade é isso: você pode estar longe, você pode não falar sempre, mas a amizade está ali, igual, às vezes até maior. Dói dizer tchau, porque a pessoa que vai leva um pedacinho de você pra longe. Mas é uma dor boa, porque ela deixa um pedacinho dela também. E quando vocês voltam a se encontrar, os pedacinhos se juntam, ô coisa bonita. Só que eu sou cheia de caquinhos espalhados por aí. Às vezes, só o choro salva.)

14.9.05

Orquestra da Chuva

Ouçam, senhoras e senhores,
já ruflam no céu os tambores
que chamam de trovejada.

Escute, menino atento,
pelas frestas da janela
o violino do vento.

Não tarda e já vem a água
pingo
a
pingo
Transformando em teclado
nosso telhado de zinco.

Gotas de chuva, trovão
raios e ventania.
A tempestade aplaude
esta bela sinfonia.

(Prá criança que tem medo da chuva que mora dentro de cada um de nós. E especialmente prá minha vó, que se esconde debaixo da cama em dias nublados.)

30.8.05

...

Estou doente
da mente
vomito no papel
os nós
da minha garganta

(Não tão mal quanto parece, só um bocadinho perturbada com sabe lá o que. Ando esperando algo que não sei o que é e de vez em quando me vêm essas poesias. Já reparou que a gente escreve mais poesia quando está triste? É que a pessoa plenamente feliz não precisa escrever para tirar nada de dentro de si, apenas sente a poesia da vida e a deixa guardada. Ih, acho q arrumei mai uma teoria, né?!)

25.8.05

...

Quando alguém morre
Morre também um tempero
Um toque
um cheiro

Morre um segredo
uma voz
uma história

Morre um modo
um medo
uma moda.

Fica o amor e a lembrança
guardada



(eu sei que o assunto é foda, mas, meu, eu sinto muita saudade da minha avó que foi. e tenho muito medo de perder outras pessoas que amo tanto. Porque depois, aonde a gente põe a vontade de ligar, aonde a gente guarda o cheiro da casa, o som da voz, a história que só ela sabia e o gosto do molho de macarrão? Como faz para não esquecer essas coisas nunca? e oq faz quando percebe que já esqueceu algumas?)

10.8.05

Menstruação

Minha alma cortou os pulsos. Agora, sangra por entre as pernas.


(Carência, iseguranças, irritação, todos os meses,durante sete dias, eu morro um pouquinho. Antes de sangrar por fora, minha alma se machuca todinha, se corta, chora lágrimas que saem pelos meus olhos, dói dentro de mim. Ainda assim, gosto destes ciclos, a morte e a vida dentro de mim. O Menino me pede para ser mais estável. Eu digo: não posso, sou mulher.)

PS: isso explica a carência do post aí embaixo...hehehe

21.7.05

shorcuts

1-
Inspiro
Expiro
*supiro*

2-
Não deu pra sair
não faz mal
neste frio é melhor
ficar no virtual.

3-
A essa altura da vida, quando crescer eu quero ser aposentada.

15.7.05

Da avó que foi
e da avó que vive
Café e bolo
às cinco da tarde

Saudade

Da costura
e da gritaria
do avô, do gato
da tia

Nostalgia

Se volto prá minha cidade?
Um dia.

27.6.05

Três notas - Mirela

A vida
Contada por ela
É canção

Mirela

Um banquinho
Um violão
E a voz
Da bela

Mirela

É o som que se ouve
Quando a música cala
E dá voz ao coração

3.5.05

Cartilha

A de dor
E de alegria
I de decepção
O de espanto
U de vaia

4.10.04

Quando eu crescer quero ser igual o Millôr...

Quem vive morrendo de pressa, acaba morrendo depressa.

29.7.04

Acontece

Viveu uma vida regrada.
No almoço só comia salada,
um vinhozinho porque faz bem,
Um grelhado para acompanhar
Sobremesa, nem pensar

Aos sessenta já nem se lembrava
Do gosto de uma cerveja, uma pinga
Ou mesmo um pão com manteiga
Tudo o que era bom ele evitava

Pelo bem de sua saúde, corria
Fazia tênis e natação,
Tudo para cuidar do coração

Fazendo tudo o que dizem que faz bem,
Acreditava que ia até os 100

Após uma vida de privação,
Morreu aos 80, lindo e faceiro,
Atropelado por um caminhão.

29.4.04

Consideraçôes sobre a Cidade

1

Hoje
Uma doce sensação de natal
se espalha pela cidade.
Há alegria em cada canto
e sinto que vou encontrar um presente embaixo da cama

Hoje
Parece que é carnaval.
Há luxúria em cada esquina
e olhares lascivos
se encontram e se perdem
a cada segundo

Hoje
Poderia até ser meu aniversário.
O mundo me dá passagem
sinto cheiro de bolo e balões
e juro que alguém já me deu os parabéns.

Hoje, porém,
é só um dia qualquer,
nublado e chuvoso.
Ou qualquer dia que antecede um feriado.
E não há um pingo de tédio no ar.

2

Sinto falta de olhar ao longe.
Da janela de casa vejo a rua, um terreno,
prédios, prédios, tédio.
Tudo muito perto,
sinto falta do horizonte.
Queria olhar para o céu e procurar estrelas,
mas só vejo nuvens.
Tudo muito perto e cinza.
Muito cinza.
No máximo posso perder meu olhar
na janela de algum vizinho.

3.7.03

Acordar mais cedo. Como o mundo é diferente às seis horas da manhã, quando o sol, ainda meio sonolento, dá bom dia aos passarinhos. E como é bom ouvir os passarinhos respondendo bons dias ao sol e os vizinhos acordando e as primeiras pessoas nas ruas. E como é bom estar acordada, sentindo tudo isso, sem ter que tomar parte no mundo. Ficar ali, só, com preguiça de existir e não existindo por alguns minutos. E depois sorrir e sentir que tudo voltou ao seu devido lugar.

18.6.03

Um rosto cheio de rugas. E as rugas eram rios por onde correram as lágrimas de sua vida.

12.6.03

Mendigo

Um salto distante do palco
O balanço embalado no ar
No chão jaz adormecido
O bêbado que queria voar.
Poesias Bobinhas

Papel Higiênico

A leve noiva
vestida em branco
carrega ao vento
seu enorme véu
e se a pontinha cair na lama
a noiva faz um escarcéu.

Noz

Pobre criança enrugada
dormia em um duro bercinho.
Veio um soldado de ferro
interromper o soninho.
Da criança, ó coitada, não sobrou nem pedacinho.

Ventilador

A bailarina baila ligeira
rodopiando pelo salão.
Ó menina, não vá tão rápido
não quero ver sua calcinha não.