Dizem que foi de dormir com a luz da lua cheia batendo na cara. Não fosse por isso, a irmã de Constância não comeria terra. Não fosse por isso, o tio de Constância não falaria em línguas que ninguém entende. Não fosse por isso, a mãe de Constância não teria perdido as digitais de tanto esfregar o chão, sempre sujo, sempre sujo, sempre sujo.
Dizem que foi por deixar a luz da lua entrar que ficaram todos assim, mas não adiantou nada colocar cortinas grossas de veludo em todas as janelas. Eulália, a irmã, teve que ser internada. Comeu as paredes quando tentaram trancá-la no quarto. O tio, da noite para o dia, emudeceu. E a mãe. Constância não gosta de pensar nisso. A mãe de Constância morreu afogada na banheira, enfim limpa.
Dizem que a culpa da loucura de Constância foi dela mesma. E foi. Nas noites de lua cheia, sozinha no quarto, ela abria com força as cortinas e dormia tingida de branco. Foi numa noite destas que ela voltou a ouvir a irmã a arranhar as paredes, a mãe a esfregar o chão do quarto e que o tio apareceu para conversar com ela. E desde então, Constância voltou a dormir em paz.
(uma homenagem torta à Kimu, que escreve sobre gente louca muuito melhor que eu heheh. Kimu, te amo! parabéns, cats!!)
Um comentário:
Ai que lindoooooooooo! Me deu uma saudade tão grande. Você sabe como eu amo aniversários, né. O texto está excelente, sem suspeitas. Melhor do que essa "constância", só mesmo você aqui.
Um beijo. Amo você.
Kimu
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