20.8.08

Constância

Dizem que foi de dormir com a luz da lua cheia batendo na cara. Não fosse por isso, a irmã de Constância não comeria terra. Não fosse por isso, o tio de Constância não falaria em línguas que ninguém entende. Não fosse por isso, a mãe de Constância não teria perdido as digitais de tanto esfregar o chão, sempre sujo, sempre sujo, sempre sujo.

Dizem que foi por deixar a luz da lua entrar que ficaram todos assim, mas não adiantou nada colocar cortinas grossas de veludo em todas as janelas. Eulália, a irmã, teve que ser internada. Comeu as paredes quando tentaram trancá-la no quarto. O tio, da noite para o dia, emudeceu. E a mãe. Constância não gosta de pensar nisso. A mãe de Constância morreu afogada na banheira, enfim limpa.

Dizem que a culpa da loucura de Constância foi dela mesma. E foi. Nas noites de lua cheia, sozinha no quarto, ela abria com força as cortinas e dormia tingida de branco. Foi numa noite destas que ela voltou a ouvir a irmã a arranhar as paredes, a mãe a esfregar o chão do quarto e que o tio apareceu para conversar com ela. E desde então, Constância voltou a dormir em paz.

(uma homenagem torta à Kimu, que escreve sobre gente louca muuito melhor que eu heheh. Kimu, te amo! parabéns, cats!!)

Um comentário:

Anônimo disse...

Ai que lindoooooooooo! Me deu uma saudade tão grande. Você sabe como eu amo aniversários, né. O texto está excelente, sem suspeitas. Melhor do que essa "constância", só mesmo você aqui.

Um beijo. Amo você.

Kimu