25.9.07

Antes, só existiam duas estações. O inverno começava no primeiro dia em que ela sentia arrepios no fim da tarde e acabava quando a última fuligem preta caia do céu.


No primiro dia quente do ano, quando as aleluias apareciam às centenas em cada poste, começava o verão. Terminava, pois, quando ela acordava e não sentia mais o cheiro das mangas apodrecendo no quintal.


Quando ele chegou, ela descobriu o que era a primavera: uma imensa vontade de dançar.


Quando ele se foi, amarelou e deixou-se levar pelo vento.


(uma hora dessas eu volto a escrever histórias com final feliz, tá? por hora, só digo que meu estado de espírito está bem de acordo com a primavera que chegou. Vou pôr uma flor no cabelo e sair bailando por aí.)

9 comentários:

Carol Fonseca disse...

Como é bom estar livre, leve e solta!!! rssss
Beijocasss

Ingrith disse...

Seus textos são otimos!

E eu amo a primavera!

Anônimo disse...

Às vezes a angústia é tão forte, tão apertada, que preciso arrumar alguma coisa pra fazer, por exemplo: sentar debaixo da velha árvore do quintal mais velho ainda e folhear um livro com os dedos. Previsivelmente, meus dedos não acompanham meus olhos. Estes não enxergam um palmo pela frente e tentam, fechados, ver o que acontece por trás deles. De repente, uma folha – da árvore, não do livro – cai no meio de uma passagem que acho importante e que dizia mais ou menos assim: “A morte é antes de tudo o seguinte: tudo o que foi visto, terá sido visto à toa.” Imagino muitas coisas efêmeras ultimamente, coisas que somem com o tempo ou que voam de cima das árvores com o vento, como a pequena folha que flutua, mas que sempre acaba caindo. Inutilmente, meus dedos buscam tocar a folha sobre a folha escrita, ambas um pouco amareladas. Ao tocá-la com certa suavidade, ela se desfaz. Sem dó nem piedade, destruo a folha com meus dedos, rasgo-a em mil pedaços pequenos e jogo-os ao vento. Feito isso, me afasto lenta e angustiadamente da velha árvore e do livro rasgado, levando entre os dedos a pequena folha e a lembrança daquela frase.

Helen disse...

POr favor, volte pra me contagiar rsrsrs

beijo!

Renata disse...

Ah! Que gostosa essa sensação, Thatha.
:*

Thata disse...

hahahaha...é, carol, se é :P

oi Ingrith, brigada! a primavera é pra ser amada mesmo, né? ;) e pra amar tb...

É, moço, algumas folhas se desmancham mesmo ao menor toque. melhor deixá-las voar com o vento. :*

Helen, sente o vento da primavera? num é contagiante? :*

Rê, e num é? fase boa, boa. bjão

Daniel "Mack" disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Daniel "Mack" disse...

Tao bela espada que me corta os olhos; que me impulsiona os neuronios; Que te move pelos campos de batalha da vida e te ganha o suado pao de cada dia. Esta, que outrora marcada em tinteiros e mata-borroes, hoje golpeia as mentes por trás de um teclado e um monitor.
Tha, vc é uma mistura fina de erudiçao e pós-modernidade, adorei!

Thata disse...

aaaah, mack, que fooofo! amei :D
bj!