
Micolina, minha irmãzinha e amiga de infância, visitou na semana passada o Quilombo de Caçandoca, em Ubatuba. O que ela viu por lá merece ser compartilhado. Confiram alguns trechos do e-mail que ela me mandou e a íntegra e as outras fotos aqui.
"Senti uma identificação com aquele povo ontem, assim, loirinha e branquela... mas sou BRASILEIRA!!! igual a eles. A cultura deles tbém é a minha, não tem essa de raça negra, raça branca, índigena: a gente nasceu no mesmo solo, sob o mesmo sol, nossa terra é a mesma, portanto os problemas deles tbem são nossos. É muito triste vc visitar um lugar que tem tudo pra ser um paraíso e ao mesmo tempo acumula tanto sofrimento.
O pessoal de lá já perdeu muito de suas raízes. A maior parte da comunidade ou é católica ou evangélica, e as suas crenças tradicionais já não têm mais muito espaço. Danças, festas, músicas, tudo com influência pop: só aquilo que a rádio toca nas ruas. A alienação impera, até lá. E para um lugar onde não há energia elétrica e água encanada, até que eles estão bastante por dentro do que está acontecendo atualmente no nosso Brasil.
O assessor da secretaria da justiça me disse que existem quilombos que mantém mais as tradições, mas que lá falta muita estrutura. A identidade cultural fortalece a auto-estima da comunidade, coisa que está em falta naquele local. Descrentes com o poder público (alguém ainda acredita nele??), eles prosseguem a luta para não perder o direito de permanecer naquelas terras, e - que coisa linda - para poder cuidar daquele espacinho de natureza que lhes sobrou. Tudo porque uma Urbanizadora chamada Continental acha que aquele espaço tem que ser dela.Para construir prédios, ruas asfaltadas, calçadas e quiosques na praia. E ganhar mais dinheiro... parece que, além de desabrigar as 44 famílias que vivem ali, ninguém está se preocupando com o futuro do meio-ambiente...não revolta?
Se pelo menos as raízes culturais deles pudessem estar mais fortalecidas, acredito que eles enfrentariam as dificuldades de igual pra igual. Quem protege aquelas pessoas contra os grileiros que vão ameaçar as mulheres e crianças desarmadas se não saírem dali?
Apesar do sofrimento, as pessoas são ótimas, alegres...é que elas têm em troca uma coisa que a gente só tem em sonho: viver pertinho da natureza, 24h por dia, não há energia negativa que resista a tanta coisa bonita junta!"
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