Em São Paulo, grande selva de concreto, cidade tingida dos mais diversos tons de chumbo, as pessoas vão ficando cada vez mais cinza.
A palidez nos rostos e nas roupas é reflexo do céu carregado, da cor suja dos prédios velhos, da densa camada de poluição. Quanto mais contato se tem com a cidade mais a cor vai se perdendo.
Aos que não têm uma casa para onde fugir, resta a camuflagem máxima, a adoção total das cores da cidade.
Dormindo no chão sujo, respirando fuligem, deixando as roupas desbotarem no sol e na chuva, os mendigos acabam se tingindo de cinza e bege e se confundindo totalmente com o lixo da cidade.
Surge o fenômeno dos moradores de rua, um problema que todo mundo sabe que existe mas ninguém vê.
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