13.8.04

Eu não sei o que quero ser, mas já sei o que não quero. (do filme Olga)-

Um filme que te arrepia nos primeiros 10 minutos e que causou crises de choro na platéia enquanto corriam os créditos. Emocionante, belo, tocante. Forte e delicado ao mesmo tempo, à imagem e semelhança daquela que o inspirou.

Um filme que choca - mas o choque não vem do filme em si, vem da história. E a história é a nossa história, história do Brasil, do Mundo, história de amores e ideais.

Em primeiro plano temos Olga, mulher forte, judia, comunista, idealista até o último fio de cabelo, corajosa e rebelde. Olga saiu cedo de casa para lutar ao lado do partido, rompida com a família, fez treinamento militar, participou de operações perigosas, destacou-se a ponto de ser convocada para cuidar da proteção de um homem importante que estava revolucionando a América Latina: Luis Carlos Prestes.

É aí que surge a segunda parte da trama: a história de amor entre Olga e Prestes. A princípio eles deviam se passar por marido e mulher, na viagem que o traria de volta para o Brasil. Ao fim da viagem já eram amantes. Foi Olga quem tirou a virgindade de Prestes - e nisso ele já tinha 37 anos. Viveram em esconderijos no Brasil até serem pegos pela polícia de Vargas.

Olga estava grávida. Ainda assim, foi deportada. Judia na Alemanha, sofreu as piores torturas, teve a filha arrancada de seus braços, trabalhou em campos de concentração e morreu em uma câmara de gás sem nunca mais ter abraçado sua menina, sem nunca mais ter olhado nos olhos de seu grande amor.

Este é o terceiro plano do filme, a história da humanidade. Uma história feita de homens que roubam, invejam, torturam, destroem povos e famílias. Mas não destroem amores e ideais.

Se você está esperando um filme político, um filme de história, esqueça. A política está presente sim, mas não é o foco principal. Este é o fator que o torna ainda mais eficiente ao lembrar-nos dos horrores do passado para que eles não se repitam. Mostrando um lado mais humano da história, ele envolve a platéia e conta a história muito melhor do que qualquer aula ou enciclopédia. É um filme de amor.

Se você está esperando um filme nacional, chato, parado, com os mesmos atores globais de sempre, ou algo cheio de papo-cabeça pra boi dormir, esqueça também. O filme empresta a agilidade da TV e sua linguagem simples mas sem cair em algo totalmente comercial. As cores também são diferentes, frias, invernais, longe dos laranjas e vermelhos que dominam os filmes nacionais. É um filme de qualidade internacional com potencial para colocar o Brasil definitivamente entre os grandes produtores do cinema mundial.

"Iluminar, iluminar sempre, apenas iluminar", diz um poema recitado no filme. Olga é um filme iluminado.

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