6.6.04

ZOOLÓGICO DE BAURU Dois tigres fogem e são sacrificados

Dois tigres do zoológico municipal de Bauru escaparam ontem de suas jaulas e foram sacrificados, a tiros, para evitar riscos aos funcionários e visitantes. A polícia investiga a possibilidade de sabotagem.Os seguranças do zoológico dispararam dardos com anestésicos nos felinos -uma tigresa de 12 anos e seu filho de 6-, mas eles continuaram agitados e se embrenharam na mata. (DA AGÊNCIA FOLHA)


Entre as feras, assim como entre os homens (e não são os homens a maior de todas as feras?), as histórias passam de pais para filhos. Ela se lembrava com tanta clareza das histórias que ouviu de sua mãe que era como se tivesse vivido as caçadas e aventuras de todos os seus ancestrais. Aquilo ardia dentro dela como uma febre, uma sede de sangue e aventuras que nenhum bife, por mais suculento que fosse, poderia saciar. Uma febre que ardia ainda mais depois do nascimento de seu filho. Não podia conceber que ele tivesse uma vida como a dela, uma vida de privações, de tédio, de angústia.

Nervosa, andava de um lado para o outro, o dia todo, durante anos, procurando uma saída, um buraco para a liberdade. Podia sentir o cheiro das presas que a rodeavam e era isso que lhe dava ainda mais impulso para sair dali. Um dia, a oportunidade surgiu. Até hoje não se sabe se foi ela mesma, com seus dentes afiados, quem abriu o buraco na jaula ou se foi algum ativista inconformado que facilitou a fuga. O certo é que mãe e filho escaparam do martírio.

Seria perfeito, eles se embrenhariam na mata e viveriam como as feras selvagens que eram, comendo macacos e antas desavisadas que cruzassem o seu caminho. Mas ela não resistiu ao cheiro de sangue, não pode esperar para fazer sua primeira vítima. Atacou com toda a sua fúria um camelo que pastava calmamente. Foi seu grande erro.

Logo chegaram os homens e não havia mais tempo. Tentaram uma fuga desesperada para dentro da floresta, tentaram atacar, mas foi em vão. Morreram. Morreram do medo do homem. Morreram pela segunda vez e pela segunda vez lhes foi negada a única coisa que quiseram durante a vida: a liberdade.

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