27.5.04

Amo muito tudo... O que mesmo??

O McDonald?s, símbolo máximo da cultura capitalista, presta um favor à sociedade e nos ajuda a compreender o que se passa na cabeça e no coração da famosa geração X- à qual pertencemos eu e você, querido leitor desta coluna, pessoas que cresceram imersas na cultura de massa.

Nós vivemos na pós-modernidade, um momento muito peculiar onde alguns conceitos estão sendo revistos. O conceito de amor, por exemplo. Amo muito jogar bola, amo muito paquerar, amo muito entupir minhas artérias com gordura industrializada de marca.

A substituição do ter pelo ser, como sabemos, é uma característica marcante da pós-modernidade. O que é inédito na propaganda do McDonald?s é que nunca o amor ao que é superficial tinha sido estampado em outdoors pelas principais cidades do mundo ou repetido à exaustão no rádio e na TV.

?Amo muito tudo isso?, dizem os anúncios que todos nós já cansamos de ver. O problema é que quem ama muito tudo ao mesmo tempo não ama nada e muito menos ninguém. A propaganda, não só esta do McDonald?s, mas a propaganda em geral, dirige o amor a coisas e situações, esquecendo que amar só é possível entre seres humanos. Com o capitalismo aprendemos a ser competitivos, a pensar no nosso próprio umbigo para ter sucesso a qualquer custo. Nosso amor é todo direcionado a nós mesmos e quando não nos achamos suficientemente merecedores da nossa própria admiração direcionamos nosso amor a válvulas de escape tais como drogas, comida e consumo compulsivo.

Não devemos amar roupas, marcas, situações, devemos amar pessoas, nossos pais, irmãos, amigos, alguém especial que cruze o nosso caminho. O problema é que falar em amor ao próximo nos dias de hoje beira o cafona, ninguém mais lembra de pensar no outro, de fazer o bem, tudo isso são conceitos ultrapassados. A pós-modernindade não deixa espaço para o amor.


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