24.6.03

"Uma Mensagem a Garcia
Quando irrompeu a guerra entre Espanha e Estados unidos, o que importava a estes era comunicar-se rapidamente com o chefe dos insurretos, Garcia, que se sabia encontrar-se em alguma fortaleza no interior do sertão cubano, mas sem que se soubesse precisar exatamente onde. Não havia comunicação possível, mas alguém lembrou-se de Rowan. Se havia alguém capaz de encontrar Garcia, Rowan era esta pessoa.
Ele foi chamado à presença do presidente, que lhe confiou uma carta para ser entregue a Garcia. Não vem ao caso descrever aqui como ele amarrou a carta ao seu peito, se embrenhou no sertão, atravessou a pé um país hostil e entregou a carta a Garcia. O ponto que nos importa neste episódio é este: Rowan recebeu a carta do presidente e nem sequer perguntou "onde é que ele está?". Apenas foi lá e cumpriu a tarefa."
Não trato aqui da obedência cega, da submissão suicida. Trato do que os "departamentos de pessoal" das grandes empresas costumam chamar de postura pró-ativa: a necessidade de arregaçar as mangas e fazer o que ninguém mais quer fazer. De ter atitude, esta palavrinha tão em alta nos dias de hoje. O que se procura? Alguém que possa entregar uma carta a Garcia. Alguém que, antes de perguntar "como?", vá lá e tente fazer. E se não souber, invente um jeito novo.
Eu costumava ser esta pessoa. E, na minha última entrevista, quando recebi este texto, percebi que entre tantas coisas que aprendi aqui, esta eu desaprendi. Eu, que sempre fui a líder dos trabalhos de escola, que sempre soube o que fazer, virei um mero pau-mandado que apenas obedece ordens, que tem medo de tomar uma atitude porque sempre que resolveu algo sozinha foi bravamente repreendida.
Preciso sair daqui. Para reaprender a andar com as minhas próprias pernas. A tomar decisões. A fazer as coisas a meu modo. E se algum dia eu me esquecer de por que eu pedi demissão da Grande Agência, que este post me sirva de memória escrita.

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